Novos Voos - Take Two

Sexta-feira, Junho 24, 2005
Amanhã, rumo ao Sul. E ao Sol
Amanhã, rumo ao sol, para uns dias, breves, onde esticarei ainda mais a preguiça habitual.

Gostaria de ir para aqui:

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…mas o tempo não está para grandes loucuras financeiras, e para mais, nós por cá também temos sítios onde a vida ainda parece correr lentamente. Como este, que ainda é um dos paraísos do nosso sul, e que é onde me gozarei o cheiro incomparável do nosso oceano.
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Como é evidente, levo comigo as companhias que fazem a minha vida, e mais uns livros, música (que afinal também são recorrentes), a imprescindível máquina fotográfica e o moleskine para guardar alguma impressão mais forte.

Claro que desta, também irei acompanhado das saudades dos meus companheiros diários nestas andanças: Vocês, que todos os dias me gratificam com o prazer da vossa presença, e a quem aqui deixo expresso o meu apreço e estima

Fica então o meu até já

O post de hoje vai assim
diividido em duas fases
esta com flores p'ras meninas


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e meninas p'ros rapazes


Anti-furs girls


Estas são especiais
pois são vegetarianas
tal como são contra o uso
de qualquer pele animal
E como verificarão
Têm todas muita razão
em só quererem verduras
Faz bem à pele, não se nota?
E os sorrisos, que tal?
Reflexos de muitas venturas!
Portanto, é irem por elas
tomem já uma atitude
De carnes, nada de abuso
Serena a carne e o espírito
e resguarda-vos a virtude.

Quinta-feira, Junho 23, 2005
Fetiche


Aos teus pequenos pés,
finos, delicados
poderia tecer um livro de poemas
todos eles muito elaborados
Procuraria em vários dicionários
minuciosamente
os termos adequados
para que tudo fosse
exacto e condizente
com essa especial beleza
que te está adjacente

Mas há atractivo,
de si tão esmagador
que nenhuma palavra chegará
para dar uma perspectiva adequada
por muito que o termo usado
se torne sedutor
E assim,
dispenso a eloquência
guardo para mim a emoção
e o desejo
que sinto de cada vez que os vejo
caminhar, de leve
sem quase tocar o chão
como se, invisível
uma pequena nuvem te transportasse
permanecendo assim em eterno êxtase
e escravo submetido voluntário
á tentação


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Foto de Giovanni Gasttelli


Excertos do poema de Fernando Caldeira aos delicados pés da Condessa Guccioli:

Cismo, cismo e não sei inda
como tu, sendo tão linda
e tão vaidosa de o ser,
tens ai no chão pousados
os teus pezinhos coitados!
aí como uns pés quaisquer!...
...Olha! às vezes endoudeço
quando tos vejo, e apeteço
duas semanas... um mês...
dois meses... nem sei eu quanto,
ser um sapato, contanto
que tu me tragas nos pés!...
...Que hei-de eu fazer, quando os vejo,
a tanto faminto beijo
que tos quisera calçar?
que nem os peixes no rio
se juntam tanto a fio
na veia d’água a brincar?
...Olha, a dizer-te a verdade,
eu acho que é crueldade
deixá-los ir pelo chão...
Se queres, poupa-lhes passos,
levo-te a ti num dos braços
e eles ambos noutra mão
.

Quarta-feira, Junho 22, 2005
Ainda peregrinando...

Uma das vilas de que mais gostei foi Sarlat-la-Caneda, que embora diferente de Rocamadour e Collonges-la-Rouge (ainda se lembram da aldeia vermelha que postei em 26/02? Uma maravilha!!), que pode ser considerada a capital do Périgord Noir, que é o mesmo que dizer, a capital do Foie-gras.
Já fui até àquela zona duas vezes, sempre de carro, mas se não quiserem ter grandes incómodos, podem apanhar um avião até Bordéus ou Lyon e aí alugar um carro e partir à descoberta, não só do que a história lhes/nos legou, como apreciar as belezas naturais. É uma zona de vegetação luxuriante, muito húmida, e rica em cavernas pré-históricas. Sobre Sarlat, se quiserem saber mais, vão aqui

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La Lanterne des Morts


Para se pernoitar, não vão faltar sítios, os hóteis são muito bons, embora não sejam baratos. Por mim, prefiro os Chambres d’Hôtes, que ficam quase sempre em casas de campo, é uma espécie de turismo de habitação, mas os preços são mais baratos que por cá, e as pessoas são muito simpáticas

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Torre do Sino


Para um gourmet, esta zona é uma tentação…

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…para além das viagens ao passado que aquelas paredes milenares nos obrigam, gostosamente, a fazer…

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Zona Medieval


…e o vinho, está a condizer com a bitola muito elevada…

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Destilaria


…que os cardápios apresentam.

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Outra zona medieval


Estamos em plena zona da noz e do foie-gras. Portanto, o paté está sempre presente, em variações deliciosas e acompanhado por coloridas saladas onde uma infindável variedade de verduras e afins, alface, alface frisada, roxa, se mistura com o miolo de noz e é temperado com...o óleo de noz, que é um espanto de sabor e dá um travo diferente aos verdes

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Um excelente Restaurante


Claro que o ex-libris da região são os gansos, matéria prima da gastronomia local...

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O ex-libris da vila


...não só nos pâtés, como nos excelentes magret de canard.

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Castelo particular for a do perímetro urbano


Já de saída, mais uma viagem aos tempos de capa e espada

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Praça Central


Para finalizar, uma fotografia que não é da minha autoria. É La Roque-Gageac, uma zona nos arredores, que, infelizmente não pude fotografar quando lá passei, que também merece ser visitada. A foto dar-vos-á uma perspectiva diferente da zona.
E não esqueçam que os campos de alfazema estão por perto
La Roque-Gageac
Aconselho a visitar este site
Talvez vos dê mais umas ideias.

Terça-feira, Junho 21, 2005
Mais uma página de Diário

A Elisa está outra vez em maus lençóis. Agora está em litígio com a Câmara. Aqui há dias, meteu a cabeça fora da janela, e toca de desatar a cantar a ária final da Madame Buterfly. Logo às primeiras notas, estalou o globo e a lâmpada do candeeiro público que fica mesmo debaixo da janela dela. A seguir, aconteceu o mesmo aos dois que ficam mais afastados e este bocado da rua ficou todo às escuras. Não sei quem foi, mas alguém a denunciou na CML porque já lhe apareceram lá em casa os fiscais a exigir-lhe o dinheiro dos globos e das lâmpadas.
Está visto que vivo numa rua de bufos e invejosos.
Mas para compensar algumas coisas menos positivas, já recebi o subsídio e de férias, e já deu para comprar uns binóculos ultra-sofisticados, que os meus eram um bocado foleiros, e à noite nem conseguia ver o Tejo. Com estes, que são usados pelo exército americano, vejo tudo e mais alguma coisa. Até através das paredes! Assim, mesmo que construam aqui uma torre à minha frente, vou poder sempre ver o rio, embora por vezes me distraia a ver os rituais de acasalamento dos meus vizinhos, especialmente da Otília e do Vidal (a propósito, já há muito tempo que ele não vai parar ao hospital. Acho que nunca mais voltou a atirar-se de cima do guarda-fato)
*****

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Este súbito calor, que tardou mas chegou em força, é que está a ter algumas consequências estranhas aqui pelo pessoal conhecido. Foi, como já contei, a Clementina que se pirou com o tipo das máquinas de limpar a vapor, deixando o Arnaldo desesperado, e agora foi o Venâncio que trespassou o café 33, porque uma rapariga ucraniana, a Latvia Seminova, que ele tinha arranjado para o ajudar no café o convenceu que ainda haviam de ser muito felizes os dois apesar de ela só ter 22 anos e ele mais de 70. Mas pronto, agora namoram e ele disse que iam os dois montar “una bodega de tapas e raciones” com a massa do trespasse e algum que ele tinha no banco, em Benidorm . Eu sei que a rapariga é trabalhadora, porque saía sempre do café à pressa porque ainda tinha que ir trabalhar não sei para onde à noite, mas está-me a cheirar a esturro aquela história, e não o vejo com pedalada para a ucraniana, de que exponho a respectiva foto, para apreciação.
E o pior é que trespassou o café a um indiano chamado Mohandas que não podia começar pior, primeiro porque acabou com a lista de fiados e tá-se mesmo a ver que vai perder mais de metade da freguesia, segundo porque correu o Albano à vassourada só porque o rapaz lhe disse:
-Dá aí uma mine, oh! monhé!
Ele não sabe como é o pessoal daqui, gostam de tratar toda a gente por igual e não há ninguém que não tenha um petit-nom. Agora, tem ali um inimigo. Já não lhe bastava ter acabado com os fiados, de que o Albano era o mais fiel cliente.
Bem, mas o que eu vos queria dizer é que ando muito reticente em voltar a comer ou beber qualquer coisa no café do Mohandas. Eu conto porquê.
Ele manteve a tradição de ter algumas travessas com bolos e salgados, especialmente pastéis de feijão, pataniscas e empadas, em cima do balcão. No tempo do Venâncio as pessoas serviam-se à vontade, mas o Mohandas, da primeira vez que alguém ia tirar um pastel, fez cara feia e disse:
-Não tira. Pede a Mohandas, e Mohandas dá com o pinça.
E serviu a visada com a pinça que tem sempre ali à mão.
Desde aí, começaram a gabar-lhe a higiene, até porque, ainda por cima, ele anda sempre de luvas calçadas, e realmente aquilo de cada um deitar os garfos ao que estava exposto, não era muito limpo. Mas o tipo ontem apareceu-me com um cordel atado ao pescoço, que lhe descia pela frente e desaparecia pelas calças. As pessoas estranharam aquilo, que eu notei pela cara delas, mas ninguém disse nada. Mas eu estava em pulgas para saber o que aquilo era. E quando só lá estava eu e a Otília, esta, que é uma cusca do caraças, adiantou-se-me e perguntou:
-Oh! sr. Mohandas, para que é o cordel?
Ele ficou um bocado embatucado, mas lá conseguiu dizer
-É quando Mohandas quer fazer urinar, abre barguilha, e cordel está preso a órgão de Mohandas, é só puxar para fora, não precisa tocar em órgão.
A Otília ia caindo para o chão. Engasgou-se, mas ainda conseguiu dizer:
-Bolas! Isso é o cúmulo da higiene.
E saiu muito vermelha.
Mas eu fiquei com a pulga atrás da orelha, e perguntei-lhe:
-Então, e depois como é que volta a meter o órgão para dentro?
-Ora, com o pinça, claro!
*****
Bem, já fui comprar uns excelentes calções de banho de marca ao Continente, amarelos com umas ramagens verdes muito discretas, que me custaram 7,5€ e uma toalha do melhor turco, com a Pamela Anderson como aparecia nas Marés Vivas, mas sem fato de banho vermelho, e que me custou 5,45€. Enfim, está tudo pela hora da morte e ainda tenho que comprar umas chanatas daquelas tipo havaianas, o que quer dizer que a praia este ano me vai custar os olhos da cara.
Mas ao menos vou fazer um vistaço. Oxalá a Elisa não fique ciumenta!

Domingo, Junho 19, 2005
Em terras de Rocamadour

Há uns tempos atrás, fiz uma pequena viagem, seguindo alguns dos caminhos de Santiago, não só em Espanha, mas também em França, em terras normalmente menos conhecidas.
Foi assim que cheguei ao Périgord Noir e a algumas das suas espantosas terras.
A primeira que percorri e onde me fixei, para daí fazer pequenas incursões foi:
Cahors

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…que fica num cotovelo do Lot, um rio espectacular, rodeado de verde…

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…uma vila conhecida pela sua traça, o seu vinho e paisagens naturais…

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…mas também pelas suas rosas, premiadas em vários concursos internacionais e que se denominam mesmo rosas de Cahors.

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Mas Rocamadour é esmagador. Mal se chega, abre-se a boca de espanto: a vila parece cravada na rocha e o edifício que está em plano mais elevado, parece uma ave de rapina, pronta a lançar-se sobre a presa.

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De longe, não se entende muito bem como se acede de umas ruas às outras. A solução são várias escadas interiores em alguns edifícios.

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O ambiente medieval está totalmente preservado e na igreja, celebram-se todos os dias missas especiais para os peregrinos…

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…e a população, vive essencialmente do turismo. Também, com um bilhete-postal destes, não seria esperar outra coisa

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Sábado, Junho 18, 2005
Frase do Dia
La vie est belle mais les femmes dão cabe d'elle

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Frase muito usada pelo meu vizinho Arnaldo que tem um lugar de venda de bacalhau e derivados no mercado 31 de Janeiro, ao Saldanha, algumas pretensões intelectuais e muito dado a tiradas filosóficas, depois da mulher, a Clementina, fugir com um indivíduo que fazia demonstrações de máquinas de limpeza a vapor.
Devo acrescentar que a Clementina não é a senhora que figura na fotografia, porque a ser, talvez o Arnaldo nunca tivesse casado com ela, até porque só por grande coincidência se teriam cruzado e não me parece que a sobredita se interessasse por um tipo de 1,60m, careca e com um persistente cheiro a peixe seco, igualzinho àquele que perfumava a rua do Arsenal há uns tempos atrás.

Sexta-feira, Junho 17, 2005
Nas Quatro Estações e Sempre

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Em toda e qualquer estação do ano
a frase mais usada será sempre
Que “Te amo”
No Verão, porque é azul e quente,
e o sangue corre ardente
mas também no Outono, que é despido
no Inverno para que se derreta o frio
quase dolorido
e na Primavera, que é sempre tão surpreendente
Pode-se dizer num sussurro,
a voz quase inaudível, como um fio,
um carinho inesperado,
ou entre sedas e arroubos de paixão
no meio de afagos húmidos e beijos
como se para nós não houvesse mais tempo
senão aquele que se esgota como febre
numa noite quase impura
de ímpetos incontrolados e desejos.
Mas diz-se sempre!
Evitar ou proibir é proibido,
que no dia em que a voz calar essa expressão
o universo explodirá por inacção
e nada mais fará qualquer sentido

Quinta-feira, Junho 16, 2005
Voyeur

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Espreito-te
quase às escondidas
como se fosse um voyeur
dispo-te com o olhar
e este olhar dissimulado
é sempre um olhar renovado
O adivinhar-te de um gesto,
o movimento ondulante
de garça ou de pantera
cuidadoso, lento até
sempre elegante, quase fera
emboscada e bem atenta
à vitima que sucumbirá
de bom grado, sem protesto
E há essa curva insinuante
que te marca o dorso, o ventre
que me atrai, abelha e flor
e que nem por um só instante
me deixa o olhar distante
e que me insinua no corpo
as várias dimensões do amor
tal como me desperta a paixão
com ímpeto, sem pudor

Ironizando diria que carecia um colírio
que me toldasse a visão
e ao mesmo tempo, na leva
me afastasse o delírio

Terça-feira, Junho 14, 2005
Diferenças

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Por vezes vêm-me à cabeça reminiscências de infância, não por uma questão de saudosismo, mas porque algumas me marcaram de forma indelével, e delas guardo ainda cheiros, sabores, e principalmente sentires, alguns até, bem doloridos.
Vem-me da minha mãe, pessoa muito afectiva, por vezes até em demasia, a minha devoção pelos animais. Gosto de cães, de gatos, de cavalos e nutro um especial carinho até pelos burros. Gosto, não só de os ver como de os acarinhar, e difícil era passar por um gato ou cão sem o acariciar, e digo era, porque um dia fui obrigado a levar uma vacina contra a raiva, porque um canino, ao que parece, não gostou das minhas efusões e fincou-me os dentes. Ficou-me de aviso, ainda assim.
Diria que gosto do contacto com todos os animais, não fora a minha repugnância pela pele fria dos répteis ou a urticária causada pelas patas de baratas ou aranhas.
Quando, num Junho de há muitos anos, cheguei a casa da minha avó, na beira interior para passar férias, fui surpreendido à entrada da casa por um cão pequeno, sem raça definida, de pelo curto castanho e preto como os basset. Disse-me a minha avó que era de um tio meu, emigrado em França, e que lho tinham dado para a caça. Chamavam-lhe Mimoso e era baixinho, anafado, muito afável, uma ternura de animal que se afeiçoou a mim de tal maneira, que nunca mais me largou durante aqueles três meses de canícula.
Um dia, á beira-rio, estava a descansar à sombra de um salgueiro, à espera que o meu avô acabasse de aparelhar o macho, quando na minha linha de visão aí a dois metros de mim, me aparece uma cobra de tamanho razoável, de pé sobre a cauda, de boca aberta, e a fazer aquele fssst! característico. Fiquei tão aterrorizado que paralisei! Só acordei do estupor quando o Mimoso desatou a correr em direcção ao réptil, ladrando furiosamente o que fez com que o animal desaparecesse num repente. O meu coração lá foi readquirindo o seu batimento normal, e o fôlego voltando. Para a criança que eu era, aquilo tinha sido demasiado forte, e a minha afeição pelo canino acho que redobrou porque o tomei como meu salvador. Agora sei que a cobra não me faria qualquer mal e acabaria por se ir embora, mas para as crianças, as coisas têm outras proporções.
Quando chegou o fim do Verão, tive uma pena imensa de me despedir do cãozinho. E pensei nele ainda durante muito tempo. Tanto, que passado um ano, quando voltei para as férias seguintes, penso que uma das primeiras coisas que perguntei à minha avó foi pelo meu antigo companheiro.
- Morreu, respondeu-me ela.
- Como?
- O teu tio levou-o à caça, e ao primeiro tiro, o cão assustou-se e fugiu.
- E então?
- Então, como o cão não prestava para a caça, o teu tio deu-lhe um tiro e matou-o
Fiquei gelado e incapaz de dizer alguma coisa. Só sentia crescer em mim uma raiva surda contra aquele homem que deitara para o lixo de forma cruel, um animal, como se se tratasse de um instrumento sem arranjo.
Estive durante muitos anos sem conseguir falar de boa vontade com o meu tio, e de cada vez que fazia, vinha-me à ideia o episódio e achava que nunca o iria conseguir perdoar.
Passado este tempo todo, a vida foi-me ensinando que as pessoas têm perspectivas muito distintas sobre a maior parte das coisas e cada vez mais, e não se esforçam sequer por entender as dos outros. Para mim, na altura aquele gesto era absolutamente inaceitável. Hoje, achando-o estúpido, entendo-o. Para algumas pessoas, o animal é mesmo um instrumento e ao menos tem que justificar o que come. A vaca deve dar leite, o burro deve servir de animal de carga, o cão deve caçar ou guardar. E se não fizerem o que lhes está destinado, não têm serventia, portanto, abatem-se. Tão simples como isso.

Mas duvido que aqueles que se batem pelos direitos dos animais alguma vez entendam esta perspectiva tão fria, tão desprovida de sentimentos

Como duvido que alguma vez me vá esquecer daquele cãozinho.

Foto de Sandy Skoglund

Nota: Depois de uns dias sem o meu PC habitual e a seguir, numa ausência por outras paragens, eis-me de novo na plena posse do que é meu e, espero, aos hábitos normais, no que diz respeito à escrita e às visitas que vos costumo fazer.
Também consegui concretizar o que há muito vinha idealizando, que era blogar sobre a música de que gosto.
Se quiserem, podem sempre dar uma espreitadela em
:

http://www.osdiasdamusica.blogspot.com

Segunda-feira, Junho 13, 2005
Até à vista, Eugénio

Urgentemente



É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer
.



Nada melhor que usar as tuas próprias palavras, para te dizer o meu "Até já". Sim, que para ti nunca poderia ser um adeus definitivo.
Como dizes melhor que ninguém, há tanta coisa urgente. E sem ti por aqui, ficamos mais fracos no cumprimento das tuas urgências.
Mas não as esqueceremos, não te esqueceremos, inventaremos alegria, multiplicaremos os beijos e descobriremos manhã claras.
E nem imaginas como para mim cada vez menos fazem sentido, palavras como ódio, solidão e crueldade.
Até um dia, poeta. Ir-te-ei bebendo as palavras para conseguir atenuar as saudades

Domingo, Junho 12, 2005
Pelas cores do Alentejo Profundo
Amarelos…

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Verdes…

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O fundo do tunel…

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Uma luz no meio da História...

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Ruas em branco e flor…

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Imaculados…

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Recordações de uma tarde de sol em Castelo de Vide e Marvão

Jardim Perdido, a grande maravilha
Pela qual eternamente em mim
A tua face se ergue e brilha
Foi esse teu poder de não ter fim
Nem tempo, nem lugar e não ter nome

Sempre me abandonaste à beira de uma fome
As coisas nas tuas linhas oferecidas
Sempre ao meu encontro vieram já perdidas

Em cada um dos teus gestos sonhava
Um caminho de estranhas perspectivas,
E cada flor no tempo desdobrava
Um tumulto de danças fugitivas.

Os sons, os gestos, os motivos humanos
passaram em redor sem te tocar,
E só os deuses vieram habitar
No vazio infinito dos teus planos.
(Sophia de Mello Breyner Andersen)

Quinta-feira, Junho 09, 2005

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Confundimo-nos
no delírio de um abraço
dissolvemo-nos na humidade
quase selvagem de um beijo
e tornamo-nos um,
deixando a excitação
à desfilada em nosso espaço,
transformado em campo de batalha
do desejo
olvidando tudo
o que está para além de nós
e que é diverso
pois lá fora nada existe,
a não ser, quase insignificante,
o universo
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Oh! I wish
I was dancing on the beach
But I’m still waiting
I don’t know
If I’d rather stay
Got
No particular place to go

Terça-feira, Junho 07, 2005
Pesca

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O meu pai tinha uma voz timbrada, forte sem chegar a ser agreste, e um riso breve, mesmo o sorriso nunca demorava muito, era quase envergonhado. Num tempo em que um homem não chorava, penso que era como se o seu íntimo o avisasse que o sorrir seria um sinal de fraqueza. E no entanto, toda a gente o achava muito simpático.
Contava poucas estórias e repetia-as muito, tendo o hábito peculiar de as povoar com uns "e tal", como se em determinadas alturas lhe fugisse o fio condutor, recuperando-o logo a seguir.
Mas as repetições, longe de me aborrecerem, divertiam-me porque as estórias, a cada nova repetição, pareciam tomar uma feição diferente, tais as alterações que lhes introduzia. Penso mesmo que algumas, já tinham muito pouco a ver com o que tinha, na verdade, acontecido.
Depois, muitas daquelas pequenas "estórias", à força de tanto as ouvir, tornaram-se quase minhas, era como se tivesse sido eu a intervir nelas.
Nunca me esqueci da maldade que ele fez às mulheres que andavam a colher a azeitona e a quem ele no último dia, deu o jantar de despedida, em que as pobres comeram gato por coelho, e gostaram, o que não me admira, sabendo da mão do meu pai para o petisco. E ainda me recordo com um sorriso, o seu olhar divertido, de vanglória simples, contando que no fim, durante o serão de cantares e anedotas, lhes tinha denunciado a safadeza, e elas tinham tentado, em vão, livrarem-se metendo dedos à boca, do que já estava mais que digerido.
Curiosamente, as minhas conversas com ele, nunca atingiam um grau muito elevado de intimidade. Para ser justo, diria que, verdadeiramente, nunca discutimos assuntos muito delicados um com o outro, do foro privado, sobre política, ou qualquer outra questão. Mesmo dos meus gostos ele sabia muito pouco.
Quando lhe comuniquei que ia casar, respondeu-me com um sorriso. Quando lhe disse que ele ia ser avô, respondeu-me com outro.
Por vezes penso que erguemos entre os dois um pequeno muro, nãa para que a um ficasse vedado o acesso ao jardim do outro, mas para evitar que, mesmo inadvertidamente, pudéssemos pisar as flores um do outro. Sempre considerei aquilo como uma questão de respeito, embora de custos elevados.
Um amigo meu, que partilhava a minha paixão pelo basquete e que era meu companheiro de equipa, um dia decidiu dedicar-se à pesca. Quando soube gozei com ele. Senhor de um dinamismo que não me deixava ficar parado mais que breves segundos no mesmo lugar, não entendia como se podia estar ali um dia inteiro de cana estendida e regressar ao por-do-sol, com um sorriso de satisfação nos lábios e de saco vazio.
- Aquilo acalma. Devias experimentar. É o melhor exercício de relaxamento que há. Às tantas, não nos lembramos de mais nada, não temos pensamento. Portanto, não pensamos, adeus aborrecimentos, entendes?
Não entendia. Aquilo era demasiada monotonia para mim, um ser agitado por natureza.
- Depois, passa-se uma coisa curiosa quando vou acompanhado, sabes? Aquela imensidão azul ali à minha frente, tem um estranho efeito psicológico, é como se estivesse em confissão, logo eu que nem posso ver padres, desato a desabafar com o meu companheiro. Felizmente, têm sido sempre amigos suficientemente íntimos, porque nem te passa pela cabeça o que lhes tenho contado. Algumas coisas que nem a mim tinha coragem de confessar.

Nunca mais me esqueci daquela conversa, apesar de pensar que ele tinha empolado aquela questão das conversas com os companheiros do momento. Mas senti que seria interessante um dia experimentar aquela terapia.

Sobretudo, a partir daquele dia ficou-me uma mágoa, suave embora, por o meu pai nunca me ter levado à pesca

Domingo, Junho 05, 2005
Um jantar com Deus

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Como já tinha referido, a minha Amiga Ana do blog mais 100 Tretas que conheço, tinha-me deixado um desafio curioso. Não lhe correspondi de imediato, porque antes me tinham aparecido outros, e isto corria o risco de parecer um blog só de correntes.
Bem, mas depois do intervalo de uns dias, aí estão as minhas respostas

Antes porém de iniciar a série de respostas, devo deixar expresso que, sendo católico por formação, sou agnóstico por opção, o que de certa forma me embaraça as respostas.

Imagina que Deus marcou um encontro contigo num determinado restaurante perto da tua casa. Imagina-te sentado/a ao Seu lado, a dialogar com Ele. E agora pergunto eu [sic]:

1 - Qual era a ementa que Lhe sugerias e porquê?

Sopa: de feijão com hortaliça
Peixe: Feijoada de chocos
Carne: Feijoada à transmontana
Sobremesa: Pastéis de feijão
Bebida: Qualquer, desde que bastante gasosa
O almoço haveria de deixar marcas indeléveis!

2 - Que motivo teria Deus para querer almoçar contigo?

Angariar mais um para a congregação, e fazê-lo pessoalmente, uma vez que os seus representantes na Terra não o conseguem, antes pelo contrário.


3 - Fazia-te perguntas acerca da Igreja. Que Lhe contavas?

Que tinha que ter mais cuidado na escolha dos Chefes de venda, e de preferência que escolhesse pessoas com alguma credibilidade para entregar o franchising.
Já agora, que indagasse sobre a forma como são gastos os dinheiros recolhidos em seu nome.

4 - Dava-te a possibilidade de te concretizar um desejo. Que pedias?

Que ele passasse um ano seguido nos países mais pobres de África, usufruindo dos privilégios dos mais pobres. Talvez fosse uma maneira de ele não fazer as extensas sestas que faz

5 - No final da refeição, pedia-te uma recordação. Que lhe oferecias?

Não devia ser ao contrário? Mas se calhar oferecia-lhe o meu perdão

6 - Por fim, oferecias-Lhe um café com ou sem açúcar? Porquê?

Sem. Tal como digo na resposta 4, para ver se acordava de uma vez por todas

7 - Quem pagava a conta?

Ele, claro. Tem crédito em todo o lado, não é o que dizem?

8 - Quem vais sugerir (3 pessoas) para almoçar com Ele? E porquê?
Não vou sugerir ninguém em especial. Sugeria-lhe que de uma vez por todas, deixasse de privilegiar alguns, e tratasse todos por igual. Seria uma boa forma de provar que existe e é justo

P.S.- No entanto, aos que quiserem deixar as suas respostas, aqui ou nos vossos blogs, será um prazer

Sábado, Junho 04, 2005
Do Sábado

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“E á solta
há os azuis frescos, cristalinos
que suavizam a vista e o coração
e que em fim de tarde quente de Verão
deixam à solta um leve aroma de citrinos”



Do fim-de-semana
Leituras:
Ia eu pela Stanton Street certo domingo de manhã bem cedo, quando vi uma galinha uns metros à minha frente. Eu andava mais depressa do que a galinha, de maneira que, pouco a pouco, fui-me acercando dela. Nas proximidades da 18th Avenue, estava já quase a apanhá-la. A galinha virou para sul na 18thAvenue. Quando chegou à quarta casa, meteu pelo caminho do jardim, subiu aos saltinhos os degraus da frente e desatou à bicada na porta de protecção de metal. Passado um bocado, a porta abriu-se e a galinha entrou.

(Linda Elegante – Oregon – Conto incluído na Colectânea que constitui olivro de Paul Auster “Pensei que o meu pai era Deus”)

Post-it 1:

Segunda feira, dia 6, vai sair X&Y, o novo álbum dos Coldplay. O que quer dizer que para a semana a música de fundo aqui do canto, vai ser do Chris.


Post-it 2:
O blog sobre música está para muito breve. Talvez ainda neste fim-de-semana. Assim o permita a preguiça.

Post-it 3:
Este blog não tem um carácter político ou noticioso. Por isso, e embora naturalmente as tendo como qualquer outro cidadão, raramente assumo aqui posições políticas ou sobre o dia a dia do País.
Porém, esta semana alguém disse algo que me deixou completamente abismado e incrédulo sobre as barbaridades que ainda se podem dizer, na crença que ainda estamos num País de atrasados mentais, influenciáveis pelo poder caduco e obscurantista da igreja. E foi assim:
“Se as esquerdas prosseguirem no seu programa, vamos ter em todos os países e classes sociais, abortos aos milhões e casamentos de homossexuais aos milhares. Os contentores dos resíduos hospitalares vão transbordar de crianças mortas e, nos países mais pobres, mesmo na Europa, corpos esquartejados de bebés vão aparecer nas lixeiras”
Esta “pérola” do pensamento contemporâneo, foi expressa, não por um qualquer demente encerrado no isolamento dos doentes perigosos do Hospital Júlio de Matos, mas pelo inefável padre Luciano Guerra, reitor do Santuário de Fátima, sobre a despenalização do aborto, no Voz de Fátima.

Sábado feliz para vocês.

Sexta-feira, Junho 03, 2005
Maldades!

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Começas uma dança sensual
moves-te lentamente
cada movimento bem estudado
de forma deixares-me bem inflamado
Vais, provocadora tirando as meias
com vagar,
como se o mundo não mais fosse acabar
e eu, abismado,
mudo, aqui parado
Voa pela cabeça a blusa leve,
desapertado que foi cada botão,
um a um, de modo vagaroso, excitante
E agora já não paro um só instante
Desce a saia, vagarosa, até ao chão
e aguardo ansioso que voe o soutien
É agora! grito mudo.
E lá vai ele.
É difícil conter a comoção
E eu já sou só pele.
em brasa, arrepiada.
E cada vez mais devagar,
vais-te movendo
eu sei que também tu
já estás excitada
Falta uma peça, a principal
e eu, já sou vulcão
estrebucho, rebolo-me na cama
e estremeço
Ficam as cuecas minúsculas, de seda
caídas, desprezadas pelo chão
E não há parte de mim que eu já não coce
Então viras-me as costas.
Vais para o banho!
Agora é que me dá uma coisinha!
Eu não mereço!
Basta! depois deste castigo
nem me fales
mais daquilo que dizes que é precoce



Foto de Brian Doben

Quinta-feira, Junho 02, 2005
Janelas

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Neste cabimento que habito e é meu corpo
que tanta vez eu próprio mal conheço
pareço conter duas vidas paralelas
uma, aqui dentro, vibrante, no meu espaço
em que todos os dias procuro o recomeço
e outra, que vejo correr lá fora, quase agreste
e que me entra fulgurante pelas janelas

Cerrá-las-ia,
sei bem que de vontade tal faria
sem mais nenhum constrangimento que saber
que tal decisão fatal em si encerraria
a punição do mar jamais rever

Quarta-feira, Junho 01, 2005
Dia Mundial da Criança

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Hoje é Dia Mundial da Criança. Sei que muitos dirão que Dia da Criança devia ser todos os dias. Concordo. Mas porque não usar este dia, uma vez que foi instituído, e não o terá sido hipocritamente, para mais uma vez vincar o dever que temos de proteger, educar e amar as nossas crianças?
Afinal, elas são o nosso amanhã.
Mas também para que não se esqueçam aquelas que não têm nada, e que morrem pelo mundo vítimas da fome e de maus-tratos. Nem das que são exploradas, das que são mão-de-obra escrava. Daquelas que, sendo crianças nunca o serão.
A mensagem é simples e directa, sem floreados. E relembrando Zeca Afonso:

Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz
Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também
Negro bairro Negro
Bairro Negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção


Esta é, portanto, só mais uma oportunidade para evocarmos a nossa maior riqueza, os que merecem tudo aquilo que lhes possamos oferecer, porque eles, com aquela generosidade que nós já não conseguimos ter, nos retribuirão com um amor insuperável.
E deixai-os crescer devagar, a infância é um lugar maravilhoso onde não se volta nunca mais.
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças
,” (Fernando Pessoa)

P.S. – A música que hoje soa por aqui, é de acordo com o dia que se comemora:

I'm a child of South Africa
I'm a child of Vietnam
I'm a child of Northern Ireland
I'm a small boy with blood on his hands
Yes I'm a child of the universe
Yes I'm a child of the universe
You can see me on the TV every night
Always there to join in someone else's fight

I didn't ask to be born and I don't ask to die
I'm an endless dream, a gene machine
That cannot reason why

Yes I'm a child of the universe
Yes I'm a child of the universe
You can see me on the TV every day
I'm the child next door three thousand miles away

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