Novos Voos - Take Two

sexta-feira, dezembro 31, 2004
FELIZ ANO DE 2005

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Quero tudo pintado de mil cores
Recuso o meu mundo a preto e branco
Vou em busca de perfumes e sabores
Sentir os sentidos bem sentidos
Viver todos os dias bem vividos
Que não quero que eles passem a correr
Porque tal é passo lesto para morrer
Quero andar pelo jardim, sentir no ar
O doce e suave aroma das flores
Descalço vou passear á beira mar
Sorrir ao ver as crianças a brincar
E como elas são o melhor que tem o mundo
Mais uma vez com o poeta concordar
Quero ainda olhar o sol, a lua e as estrelas
E dizer ás mulheres como são belas

No novo ano que se está a aproximar
Iremos ter tudo aquilo que queremos
Basta acreditar com força no desejo
Porque só nós temos talento p’ra sonhar

A todos vocês que por aqui passam, um Ano de 2005 colorido, mágico, cheio de Saúde, Amor, Compreensão e Solidariedade.
Um abraço deste vosso amigo
Vic

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/31/2004 10:16:00 da manhã | Permalink | | ( 2)Comentários
terça-feira, dezembro 28, 2004
Paixão

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E se naquele momento decisivo
Tivesse visto para lá do que é real
Ter-me-ia surgido então a escolha
Entre o sono sem sonhos e profundo
De ir em frente, de viver
Sem nada ver
E o êxtase pleno de assistir
Enredado, submisso em teu abraço
Ao mais colorido arco-íris
Que me apareceu naquele entardecer
À mais extraordinária aurora boreal
Que sabia
Sem ti jamais veria.
Foi um caso de paixão fatal,
E fulminante,
Tão denso, tão intenso, tão brutal
Que não hesitei em sucumbir
À tua sedução um só instante

Foto Luz Zenital de A Brito

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/28/2004 01:50:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
segunda-feira, dezembro 27, 2004
Um agradecimento devido

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A todos os que por aqui passaram, os meus agradecimentos e a esperança que o vosso tenha sido um Natal caloroso.
O meu obrigado especial aos que "responderam" ao olhar que deixei no post anterior. Como era um olhar especial para uma ocasião especial, e como já estava atrasado nos agradecimentos individuais, decidi fazê-lo assim, à parte. Ao mesmo tempo, deixar-vos um perfume a cheirar a Ano Novo.
Logo, voltarei para dar notícias. Até já.

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/27/2004 06:10:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
quinta-feira, dezembro 23, 2004
Contra a Indiferença

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Passam por ti, indiferentes
sem reparar
Nas olheiras fundas,
na lágrima furtiva,
nem na esperança
No fundo dos olhos,
imortal, a crepitar
E mantêm-te ao largo
não vá a mão pequena
que estendes
Sujar o fato acabado de estrear
O sorriso que te inunda
o rosto magro
Tem aquela alegria
mitigada
de quem sabe que o Natal
É só para outros
Que para ti aquela data
é só
um dia a mais na vida,
no final.
Mas nestes dias
tão agrestes e tão frios
tão vazios de valores
e humanidade
tão repletos
de indiferenças e vaidade
És tu que iluminas com o olhar
As ruas e os becos da cidade

Foto "Viagens contra a Indiferença", de Teresa Rosa

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/23/2004 05:25:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
segunda-feira, dezembro 20, 2004
NATAL

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A época não é só de festa, também de meditação. Deixo-vos um poema. De Miguel Torga. Chama-se:

NATAL

Um anjo imaginado,
Um anjo diabético, actual,
Ergueu a mão e disse:
-É noite de Natal,
Paz à imaginação!

E todo o ritual
Que antecede o milagre habitual
Perdeu a exaltação.
Em vez de excelsos hinos de confiança
No mistério divino,
E de mirra, e de incenso e ouro
Derramados
No presépio vazio,
Duas perguntas brancas, regeladas
Como a neve que cai,
E breve como o vento
Que entra por uma fresta, quizilento,
Redemoinha e sai:

A volta da lareira
Quantas almas se aquecem
Fraternalmente?
Quantas desejam que o Menino venha
Ouvir humanamente
O lancinante crepitar da lenha?

Foto de José Marafona

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/20/2004 09:06:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
NATAL FELIZ PARA TODOS!!!

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Não vou de férias, mas achei que seria altura para vos desejar a todos vocês, amigos e amigas que me dão o prazer da vossa companhia, do fundo do coração, um Natal muito Feliz e deixar-vos uns cartõezinhos alusivos à festividade.

P.S.- Os Pais Natais estão de frente, como veem. Para o meu amigo Bertus não voltar a reclamar que eu ponho sempre os fotografados de costas!

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/20/2004 08:07:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
sexta-feira, dezembro 17, 2004
Faz de conta

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Faço de conta
que não te vejo
as costas sinuosas
e perfeitas
Faço de conta
que não te vejo
os seios túrgidos
a tremer
Faço de conta
que não te vejo
As nádegas firmes
e vibrantes
Faço de conta
que não te vejo
no corpo de seda
a água a descer
A tudo sou alheio
ou quero ser
Mesmo á beleza
que espalhas ao passar
Volto-te as costas
Só para não te ver
só para não sentir
Esta humidade quente
que soltas pelo ar

Desperto.
Como recusar a tentação
Se me quero oferecer
inteiro a ela?
Só podia ser um sonho
Uma ilusão.

Sigo os teus passos
Não te dou espaços
Volto aos teus braços

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/17/2004 11:11:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
quarta-feira, dezembro 15, 2004
Alvorada

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Nascendo o dia turvo
de sol escondido,
faltando-me assim
o colorido
Pinta-mo tu
com as pétalas sedosas
Com que se te terminam
as mãos, rosas
no corpo nu
Abre-me os olhos
para as cores do renascer
com a polpa vermelha e húmida
Que se te entreabre,
Ousada e louca
Que eu quero-te beber
Mostra-me o alvo dos dentes
que mordiscam, atrevidos
a língua que me procuras,
ávida na boca
Que só vive da tua
Carne firme,
Bela e nua
É só mais um dia, dirás
displicente, descuidada
Mas para mim
Contigo ao lado, ali deitada
Será sempre
Uma esplendorosa e irrepetível
alvorada

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/15/2004 07:15:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
segunda-feira, dezembro 13, 2004
Esta não é pró Pai Natal

Oije ouve um trumor de terra que eu vi na telvizão. Eu na altura não me periocupei pruque pensei que era o noço vizinho do lado, o sr. Euclides da loija de ferragens, que tinha outra vez a tubagem com gazes que ele quando anda açim faz um barulho do carassas quando vai à caza de beinho e o noço prédio que já não é nôvo treme todo. E eu até já estou abituado aos tremeliques do meu prédio prucausa do rebuliço que á todas as noites por volta das 11 horas na caza do Enriques das águas furtadas que até nos cai calissa na çala, só ouvimos umas coisas a ranjer, ele a gritar Aaah!aaahaaah! e a mulher dele a arfar muito alto até que gritam os dois Uaaauuuu! e depois calam-se ao mesmo tempo. Eu até já preguntei ao meu pai o que seria aquilo e ele diçe-me que eram eles que pretençem a um grupo de teatro amador e andam a ençaiar uma pessa mas devem ser munto burros pruque já andam a ençaiar a mesma sena há mais de dois anos e noutro dia até preguntei ao gaijo quando é que se estreava e ele ficou a oilhar pra mim com cara de maxo (que é aquele animal que é o marido da mula)
Beim mas voltando à conversa ouvi dizer na telvizão que afinal aquilo tinha sido um trumor de terra de 5,4 na escala de Rister, que axo quié uma gaija qualquer cum nome esquizito e até preguntei ao meu pai quem era e ele respondeu que axava que era uma jogadora de ténis belga, mas eu disse que essa se xama Quelister. O avou Armindo disse logo que o nome lhe trazia más recurdassões não sei pruquê e nem lhe preguntei que o avou Armindo já não regula munto beim. A propósito do avou Armindo ele à ora do lanxe deu um traque e borrou as calssas do pijama e a avó Capitolina deu-lhe uma descasca mas ele diçe que tinha çido com o susto pruvucado pelo trumor de terra e eu diçe-lhe que iço já tinha sido á 2 oras e ele diçe pra não ser impretinente e preguntou se eu não sabia que ele prucausa da idade ouvia mal. Eu cá axo que foi uma grande desculpa dele para se largar mas desta vez saíu-lhe o tiro pela cu latra.

Ontem á noite vi outra vez o Tissão no telhado em frente da noça caza a miar e quando fazia miaúúúú, paressia mesmo uma vizinha noça que mora aqui emçima e que se xama Eliza e que canta cumo ele mas ela canta mais alto mas tamém não é cazo pra admirar pruque ela tem uns plumões munto maiores que o bixano. Mas o gaijo não volta pra caza, pareçe que adivinha que lhi ando a preparar uma supreza que desta é que nem volta a pôr cá os coutos. Não conto o quié mas o gaijo vai pagar por eu ter ficado sem ver os beibeleides e se não fôr o veterinário sou eu, mas aposto que o gaijo não volta a ser pai.
O pior é que a minha mãe agora anda a pedir ao meu pai para comprar um cãozito que tá ali na loja de animais da rua de çima, mas o cão é daqueles piquenos que parecem uns porta-chaves açim muito amaricados e desses já chega o primo Salvador, que o meu pai apanhou um destes dias no quarto a esprimentar a lanjeri vermelha que a minha mãe usa em dias ispeçiais (pelo menos foi iço que o meu pai diçe).

O meu pai está agora a discutir com a minha mãe e com a avó Capitolina, que o avou Armindo foi para a cama de castigo, uma coisa que é a violência duméstica que é aquilo da purrada e essas coisas todas que fazem em caza sem ninguém saber. Tou pra ver quando é que eles xegam à parte em que confeçam as maldades que me fazem. Pra já ainda não estiveram de acordo em nada prinçipalmente quando o meu pai diçe que só se devia bater numa mulher por duas razões e a minha mãe perguntou quais eram.
Ele respondeu que eram : Por tudo e por nada.
Eu axo é que ainda vai aver molho, prutantes, pá, vou pra cama antes que sobre pra mim


Escrito por: VdeAlmeida, em 12/13/2004 10:56:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
O Natal é sempre que o Belenenses quiser

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Foi em noite de Dezembro
Bem gelada por sinal
Que em terras de Belém
Se deu o golpe fatal
Que a tantos de nós marcou
Ao vermos estraçalhada
Mesmo sendo protegida
Moribunda a pobre águia
Estendida pelo relvado
Com três tiros de rajada
E outro na testa pelada.
Espectáculo tão deprimente
Há muito não se assistia
Nem nos tempos do Azevedo
Ou do alegre Viravinho
Aquela horda encarnada
Sofria de tanta azia.
Nunca devemos gozar
Com o azar alheio, eu sei
Mas, desgraçados vizinhos
Da segunda circular
Ainda nem é Natal
E já vos saíu a fava
Só não sabia é que a dita
Este ano era oferecida
Com os pastéis de Belém
E não só no bolo-rei

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/13/2004 04:20:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
sábado, dezembro 11, 2004
O Gato

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Olho agora o gato
que me dorme aqui,
Aos pés descansado
lustroso, mimado.
Deixa-me afagá-lo,
e dele tratar
mas ele comigo
parece-me alheio
e nem se importar
Afinal, eu sei bem,
nem sou o seu dono
É ele que me tem.
Para tanto lhe basta
aquele ronronar
Uma roçadela
na perna ao passar,
um olhar muito breve,
Uma piscadela
Que a mim me parece
mais doce afinal
E eis-me rendido
Escravo do bicho
Que se torna rei
E por toda a casa
Ele põe e dispõe
E é ele que faz lei

O gato
Com um lindo salto
Lesto e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pega corre
Bem de mansinho
Atrás de um pobre
De um passarinho
Súbito, pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando tudo
Se lhe fatiga
Toma o seu banho
Passando a língua
Pela barriga.
(Vinicius de Moraes)

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/11/2004 07:56:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Os sinos da minha Igreja

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"Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão..."


Lembro-me perfeitamente de, há muitos anos atrás, ainda gaiato, ouvir o João Villaret dizer este poema de António Lopes Ribeiro (vai só a 1ª quadra, que é extenso, mas podem-no sempre ler na íntegra aqui).
Não sei se pela forma como o João dizia, se pela essência do poema, aquilo fascinou-me, era quase como se voasse para a pequena aldeia de onde vieram as minhas raízes, tudo aquilo que ele dizia me era familiar. E exacto. A verdade é que cada vez que o escutava, via-me ali, no adro da igreja a assistir à procissão, e a divertir-me com toda aquela envolvência especial.
Eram os cheiros do rosmaninho e do alecrim que me assomavam ao nariz, o barulho dos foguetes que espantavam a canzoada, o desfilar aos olhos da minha imaginação da banda aprumada ao amanhecer e amarrotada, descomposta à tardinha, o padre, suado, sempre zangado, o sacristão, atrás, mais solícito que um cão. As inefáveis e inevitáveis beatas que constituíam o adulador séquito do cónego, as meninas que não podiam faltar, as mais novas de peúgos brancos, as outras, apresentando os vestidos feitos propositadamente para a ocasião e com vista a servir de isco a eventual namorado, sim que aquilo tudo tinha muito pouco de religioso.

Porque é que me lembrei disto agora? Porque hoje passei no largo da Estrela, onde luz uma das mais belas igrejas que conheço, a Basílica, e à sua frente lá estavam alinhados os seus magníficos sinos, acabados de chegar do restauro e com tudo já a postos para ocuparem o lugar que é o seu.
Nunca os tinha visto tão de perto. O seu tamanho impressiona e não resisti a apear-me, vê-los ainda mais de perto e tirar-lhes umas fotografias.

Na verdade, tinha-lhes sentido a falta, do seu badalar intenso que desperta todas as imediações para exéquias a que ninguém assiste a não ser quando em cãmara ardente jaz alguém conhecido e em que a comparência é recompensada com uns segundos na TV ou uma foto desfocada num jornal qualquer.

Agora como na altura, o adro da igreja é uma feira de vaidades. A aldeia é que é maior.

Mas tinha saudades dos sinos da minha Igreja.

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/09/2004 07:07:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
terça-feira, dezembro 07, 2004
Imenda à carta ao Pai Natal

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Crido Pai Natal

Oije tive que voltar pra fazêre umas alterassões á minha carta anterior pruque ouve coisas que acontesseram e qieu não istava a contar que acontessessem portantes, cá istou pra aproveitar agora que o meu pai não pode aqui ispreitar e neim sabe que eu veinho aqui iscrever.
Comesso por te dizere que o meu pai não teim cá istado pruque sufreu um piqueno assidente. A minha mãezinha tinha um ferasco no armário da caza de beinho e que não me alembro do nome mas acabava em lax. Beim, eu sei é que a mãezinha tomava umas gotitas daquilo mesturadas num cupito dágua de vez em quando e no outro dia andava com uma cara toda sastefeita. Eu então cumo o meu pai tem andado um bocado imbezerrado e sempre a impelicar comigo antes dontem infiei-lhe cu ferasco todo no copo da serveija para ver se o animava um bucado. Mas aquilo não deu o rezultado quieu esperava pruque ele inda ficou piore e paçou o dia de onte de calssas na mão a dizer Ai!Ai!Ai! e a correre para a caza de beinho e durante a noite foi a mesma coisa e a minha mãe até teve que telefonare à Avó Capitolina que é aquela que é çurda que neim uma porta, para ela lhe imprestar um dos lenssois de plástico que ela uza por cauza do Avou Armindo não lhe mijar o colxão. Eu cá pra mim aixo que isto é disculpa que o meu pai arranjou para não ire terabalhar estes dois dias e apruveitar o feriado, que ele é um bucado madrasso, mas pêlo sim pêlo não queria que aquerescentasses ao quieu pedi um saco de feraldas de tameinho grande pró cázo disto continuar açim pra lá do dia de natal e cuando descheres a ximiné não te isqueças de metêre uma mola no nariz pruque isto aqui istá um xeiro que nem cum as janelas tôdas abertas se aguenta. Beim, e quelaro que aixo milhor não dizer à minha mãe que lhe gastei o remédio da boa dispozição seim pruveito ninhum.

Tambeim te cria dizêre que iscusas de gastar dinhêiro cu capaxinho pró Tissão. O bixano agora não me deixava brincar com ele e até me arreinhou um brasso, mas eu apanhei o çacana a dormir debaicho do pesiché e atei um oço de perna de frango ao rabo dêle e a ultima vês que o vi ia a correr à frente dos três cãezitos do Leopoldino do tailho, o tal que levou uma xumbada numa das nalgas. A minha mãe beim chama por êle, mas eu aicho que ele não aparesse tão depreça.

Já agora cumo não gastas essa maça toda, quium capaxinho não deve de sêre barato cria que me troussesses uma tichêrte igual às que o Simões custuma trazer cuns munecos numas pusissões isquizitas que paresse que são daqueles do çirco xinês que se torssem todos e ficam com a cabessa no fundo das costas. Não sei onde é quêle as arrainja mas tu deves sabêr. Só sei que a ultima tinha iscrito uma coisa quieu cupiei e que era "Abaicho o poder das cúpulas, viva o poder das cópulas". Eu não sei o caquilo quer dizer mas duqueu gosto é dos munecos não é das letras.

Cria apruveitar para pedir uma coiza que umas menina daqui me pediu para eu pedir cuando leu a minha carta antrior tão beim iscrita e que foi a Cris que diz que cria uma muneca pruque a dela ficou cusólhos pradentro e ela cria uma cusólhos prafora. Não sei de quais são que eu cá sou munto homeim e não brinco com munecas mas aicho que deve de sêre daquelas que são todas carecas e se xamam Eunucos.

Já agora querute avizar que o meu pai me iscondeu a preção de ar por causa queu acertei numa órelha da dona Clutilde mas não tive culpa pruque lhe istava a fazêre pontaria para o chapéu que ela levava que era açim canito e cuma pena espetada paressia mesmo um paçarinho mas eu istava eim çima de um banco para xegar à janela e deziquilibrei-me prutanto iço não é conçiderado maldade e tamém não é por iço que te çafas se não trousseres tudo pruque já tenho uma caixa de acendalhas para xigar lume à lareira que fica mesmo por debaicho da ximiné por onde vais descher e tamém vais subir e em cazo de falha groçeira já fanei o taco de beisebol que o meu pai custuma trazer debaicho do banco do carro pra resolver as discuções quando há arraial na istrada. E olha que aquilo já partiu uma quantidade boa de rótulas que é aquele oço do joelho que quando parte dói cumó carassas.
Prutanto já sabes o que te ispera e olha que isto não é ninhuma amiassa

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/07/2004 10:49:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
sábado, dezembro 04, 2004
Carta ao Pai Natal

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Meu crido Pai Natal

Iscrêvu-te pruque te quero pedir umas coisas como é abitual as querianças da minha idade fazer qué açim que os grandes dizem prá gente fazere.

Xamume Carlinhos e tenho nóve anos e já vez que iscrevu bem cumo carassas e istou munto adiantado prá minha idade até já passei para a 2ª quelace e portantes venhute fazer o meu pedidu do que quero que me tragas pruque me portei munto bem todu ano como é abitual nas queriançinhas da minha idade.

Primeiros, cria uma fisga nova pruque a minha mãe atirou para o licho a queu comprei com o dinheiro que ajuntei no dia dos meus anos, quié a 29 de Fevreiro e pur aqui já vês que não tenho munta sorte pruque só tenho festa de anos de dois em dois anos. Não sei pruque é que ela ma deitou para o licho mas axo que foi pruque parti a testa ao vezinho Abel que é um careca que tem pombos correios e mora aqui mesmo em frente, mas eu não tive culpa pruque eu estava a fazer pontaria era a um pombo que istava poizado na varanda mesmo ao lado dele mas na altura o meu pai xamoume e eu distraíme e aquilo escapousseme sem querer. Mas se foi por iço é uma injustissa pruque foi um assidente e se formos ver bem a coiza o grande culpado foi o meu pai. E ainda por sima pôsme duas cemanas sem me deichar ver os desenhos animados dos beibeleides.

Também cria que me teroussesses uma Peleiceteixion pruque o meu pai partiume a queu tinha quando caíu em cima dela pruque iscorregou nos berelindes queu tinha ispalhado à porta do meu cuarto pra que ninguém lá intrasse sem eu dar conta. Ainda não sei pruqué que ele não me comperou uma nova pruque aquilo até foi bom pruque ele partiu a perna isquerda,o pulço direito e teve uma coisa que eu não sei que é mas que diceram que era um trombatismo queraniano, e ficou três meses à boa vida em casa e pur causa do pulço a minha mãe nunca mais o obrigou a lavar a loussa, nem limpar a caza, nem a ajudar o avou Armindo a calssar as botas que mandam um pivete de matar qualquer peçoa de beim. Mas o qué çerto é que me partiu a Peleiceteixion, não ma subestituiu e inda me tirou os berelindes todos e pruibiu-me de ver os desenhos animados dos beibeleides durante duas cemanas

Também cria que me teroussesses um capaxinho igual ao do tio Juaquim da mesma côr e tudo que a minha mãe diz qué aza de courvo que é da côr do pêlo do Tissão que é o noço bixano. Inda istou de castigu prucausa de lhe ter aparado o pêlo com a máquina de brabear do meu pai para ele ficar como o Rufino qué o lulu da dona Gestrudes qué daqueles que eles barbeiam no corpo todo e só deicham uns tufos nas pernas, na poupa e na ponta do rabo, e que o me pai diz que "O sacana do cão fica todo empaneleirado". Ora eu também queria ver se o Tissão ficava empaneleirado e fiz-lhe a barba mas axo que ainda não tenho munta prática de brabeiro pruque a minha mãe quando o viu ainda eu o tinha amarrado pra ele não me arranhar, comessou com palpitassões e a dizer: "Ai! Ai! Ai!" e a ceguir ainda me caíu em sima de um puzele que me tinha dado um trabalhão a compeletar. Como ela neça altura fexou ozolhos eu apruveitei para ir pôr a máquina de brabear no cítio para eles não disconfiarem mas não sei como o meu pai discobriu que eu tinha usado a máquina e pôsme outra vez de castigo e não me deicha ver os desenhos animados dos beibeleides até ao fim do ano. Poizé, não sei como o meu pai descubriu, só sei que no dia a ceguir aparceu com a cara que parcia que tinha acabado de tentar agarrar o Tissão que tinha fugido todo eriçado e a fazer "Fsss!!! Fsss!!! e que só apareceu ao fim de duas semanas para aí com metade do pêzo, tadinho do bixano, a fome que deve ter paçado pruque por onde andou não devia aver Uiscas que é só que ele come. Ah!E a minha mãe ofereceu uma máquina de brabear ao meu pai no dia de anos dele que foi ontem. Não sei pra que quer ele duas máquinas de brabear pruque ele não tem acim tanta barba.Ainda se fosse como o Tissão, que deu uma trabalheira!
Portantes, o capaxinho é para pôr ao Tissão que não ficou nada com o aspeto que eu esperava.

Já agora tamém qria que me troussesses a colessão dos dêvêdês dos beibeleides que eu com as interrupessões já me perdi um cadinho embora aquilo seja comas novelas cagente está 15 dias sem ver e é como se tivesse visto todos os dias mas isto é o meu pai que diz e a minha mãe não concorda nada e nunca o deixa ver o futebol.

E prontes, tamém era para pedir um biciqueleta mas tive a tirar as medidas à xaminé e não cabias de maneira que é menos uma dispesa que tens e bem podes agradesser, mas do resto nem te atrevas a descher a xaminé sem elas porque já te dice que meresso tudo pruque fora umas pequenas coisas próprias da minha pouca idade, me portei muito bem. E olha que vou estar à coca durante toda a noite com a espingarda de preção de ar com que o meu pai vai aos paçarinhos pronta, e se falhas aposto que vais subir a xaminé mais depreça do que a desches que eu ando com uma pontaria do carassas, que ainda há dias pus o Leopoldino do talho a cochear e ele nem sonha de onde lhe veio a xumbada.

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/04/2004 11:59:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
sexta-feira, dezembro 03, 2004
Mar de Fogo

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Deixas cair
sobre o meu peito
o cabelo em cascatas
de dourado,
Por cima do teu ombro,
o mar imenso.
O corpo cálido,
que me adere á pele
Soberbo, soberano do meu,
impiedoso,
Cola-se ao ventre
que convulso vibra
Em vagas de desejo espesso,
intenso.
E eu deixo-me perder,
inércia absoluta.
Sem um ai,
sem um queixume
Afundo-me nos silenciosos
recantos da paixão,
não resisto,
Desisto,
não dou luta
Deixo-me guiar pela tua mão.
Dissolvo-me por inteiro
em teu perfume,
Nem sinto em mim o frio
da maré vasa
Que a loucura do teu corpo
há muito que tornou o meu,
cativa brasa

Foto daqui

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/03/2004 09:56:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
quinta-feira, dezembro 02, 2004
Musicas3

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Hoje, deixo mais umas quantas canções. Espero que sejam do agrado dos destinatários.
Amanhã ou ainda hoje, quem sabe? espero que este meu espaço volte à sua linha habitual.
Fiquem bem!
Algo de Algodão (Julie on the moon)- Julia - Pavlov's Dog
Alguidar Pneumático (João Tiago) - Never mind the bullocks - Sex Pistols
Syncope (João da Cal)- Love is Hell - Ryan Adams
Telas de todas as cores (Conceição)- The dock of the bay - Otis Reding
Blog da Titas (Titas)- Night and Day - U2
Vizinho (vizinho)- Heart of rock and roll - Huey Lewis
Blueshell - Aquamarine - Heather Nova
Folhado de Maçã (Maçãzinha)- Super Duper - Joss Stone
Delírios em Ascii (Espectro #999)- I Robot - Alan Parsons Project
Mindtrap - How do I get to Carnegie Hall? - Sparks
Meia Praia (Sotavento)- Diamonds on the inside - Ben Harper
Clube das Almas Inquietas (Nina)- Oceano - Djavan
Jardim de Poesia (Andrea Motta)- Somewhere in my heart - Aztec Camera
Lili Carabina (Lili)- Grão de Amor - Arnaldo Antunes
Meu Porto (Myriam)- Waters of March - David Byrne & Marisa Monte
ByeBlog (Xinha)- Happy - Lighthouse Family
Corpo Visível (CV) - Tom Taubert's Blues - Tom Waitts
Diario de uma Assistente de Bordo (Nuvem) - Flying - Beatles

Pintura de Dohena

Escrito por: VdeAlmeida, em 12/02/2004 05:04:00 da tarde | Permalink | | ( 0)Comentários
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