Passam por ti, indiferentes
sem reparar
Nas olheiras fundas,
na lágrima furtiva,
nem na esperança
No fundo dos olhos,
imortal, a crepitar
E mantêm-te ao largo
não vá a mão pequena
que estendes
Sujar o fato acabado de estrear
O sorriso que te inunda
o rosto magro
Tem aquela alegria
mitigada
de quem sabe que o Natal
É só para outros
Que para ti aquela data
é só
um dia a mais na vida,
no final.
Mas nestes dias
tão agrestes e tão frios
tão vazios de valores
e humanidade
tão repletos
de indiferenças e vaidade
És tu que iluminas com o olhar
As ruas e os becos da cidade
Foto "Viagens contra a Indiferença", de Teresa Rosa