Novos Voos - Take Two

terça-feira, janeiro 17, 2006
A...ventura

Conheço treze maneiras de contar a minha vida. Hoje escolho a sétima, por amor ao número sete, que é também o do gato: o gato tem sete vidas, e para conhecer a sétima tem pois que morrer seis vezes. Há quem diga que os gatos têm nove vidas, ma a versão segundo a qual eles têm sete parece-me superior, porque se trata de um número cabalístico: o das sete portas, das sete chaves, cuja última abre o paraíso terrestre. E se abordarmos a história da minha vida pela via do Esoterismo, deverei precisar que sou do signo Gémeos. Cinco mil anos decorreram desde o baptismo das constelações zodiacais, e a configuração do céu mudou, mas parece-me preferível falar como se estivéssemos ainda no tempo dos Caldeus. Tenho treze maneiras de contar a minha vida e não sei se há uma verdadeira, ou sequer se alguma é mais verdadeira que outra. Pessoa dizia que “temos todos duas vidas: a verdadeira, que é a que sonhamos na infância; e a falsa, que é a que vivemos em convivência com os outros”; e essa que sonhamos é a vida onde queremos viver, e talvez a mais autêntica. Como para Calderon, para mim, a verdadeira vida é um sonho, embora se possa também dizer que nasci em Itália, em Rimini, a 15 de Junho de 1927.
Não teria nunca o talento, ou sequer pretensão a tal, que me fizesse escrever uma introdução à vida como esta que aqui deixo, e que foi ditada por Pratt, na entrevista/biografia que deu origem a um extraordinário livro belíssimamente ilustrado e sugestivamente intitulado “O desejo de ser inútil
O homem, não só escreve sobre aventuras. Percorre o mundo, descobre-lhe segredos, vagueia ao acaso, cumpre sonhos.
Partilho com ele e Pessoa a ideia de que a nossa verdadeira vida é aquela que sonhamos em criança. Acrescentaria que nos cabe a nós cumpri-la. Mas na verdade, na maior parte dos casos, ficamos pelas quimeras, e a vida passa a correr.
Há uns tempos atrás, mergulhei num sono induzido, daqueles que nos é transmitido através de uns tubos, para, nele caído, fazerem do nosso corpo aquilo que entenderem.
Se o desenlace foi o que se pretendia, no imediato as coisas estiveram feias, e vi-me naquele túnel escuro em que alguns dizem que lhes passa a vida num flash. Não dei por isso, mas é verdade que houve momentos em que fiz, conscientemente um balanço da minha vida até então. E, apesar dos muitos momentos felizes, senti a falta da aventura. Lembrei-me da promessa um dia feita a mim mesmo, de percorrer a rota de Magalhães, passando pelas latitudes de Sandokan, e noto que prevaleceu o comodismo, ou a sujeição demasiado pacífica aos imperativos economicistas da vida.
E foi nessa altura que mais me convenci que a minha vida é, como dizia Calderon, um sonho. Ou muitos sonhos. Todos aqueles que sonhei em criança.
A outra, é uma via quase paralela. Quase, porque em alguns pontos, as duas se tocam, aqueles pontos precisos onde intervêm os que amo, e que para lá da aventura, me dão cor à vida. E aos sonhos.
Banda Sonora:

Richard Ashcroft

Richard Ashcroft – Break the night with colour

Nota: A nossa amiga M.M. tomou uma iniciativa muito interessante, de "eleger" um disco á 3ª feira, e um livro à 4ª feira, prometendo que, provavelmente haverá um filme à 5ª feira. Ao que vi, a iniciativa tem tido receptividade no meio dos bloggers, nos quais me incluo.
Será assim, uma boa maneira de se saber o que se lê, ouve e vê na blogoesfera, e terei todo o gosto de divulgar semanalmente os meus mais.
Como já apanhei o combóio em andamento, esta semana fica só o livro, que pode ser aquele de que falo no texto.
O desejo de ser inutil

Boas leituras
Escrito por: VdeAlmeida, em 1/17/2006 11:17:00 da tarde | Permalink | |


2 Comments:


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